
22/08/2006 - populares em frente de fogo descontrolada na freguesia de Carreira do Mato, Abrantes

22/08/2006 - populares aflitos com chamas que avançavam a grande velocidade para as suas casas na freguesia de Chainça, Abrantes

22/08/2006 - populares aflitos com chamas que avançavam a grande velocidade para as suas casas na freguesia de Chainça, Abrantes
trabalhar por amor e dedicação é uma coisa muito bonita,
toda a gente admira (pena que admiração não encha barriga) quem consegue largar a certeza de um ordenado simpático e certo
por mês pela incerteza de um sonho que não passa pelo reconhecimento mas sim
apenas do dar a contar histórias daquilo que somos feitos no melhor e também no
pior.
para o efeito escolhi a fotografia para o suporte porque
penso que é nela onde me exprimo melhor. mas a verdade é simples, eu quero que
a Fotografia se foda. se eu não fotografasse faria por aprender a escrever como quem vê, ouve e sente e contaria as histórias de quem precisa com lápis e papel.
se não conseguisse aprender a escrever limparia a minha voz e praticaria a mestria de contar histórias para que me bastasse um
simples megafone para sair à rua e gritar para quem quisesse parar e por uma
vez ouvir sem medo aquele estranho homem descalço que grita nas ruas histórias
deste mundo e que não pede esmolas, apenas que ouçam. ao dizer isto concerteza que já perceberam que para além da fotogrfia o que o quero mesmo é um empenho humano na abordagem ao mundo.
gosto muito de ainda carregar comigo esta costela da terra
do nunca. gosto muito deste corpo de criança. gosto muito destes meus olhos de
esperança. gosto muito desta minha boa disponibilidade. gostaria muito que
alguém me desse uma oportunidade.
já disse que quero que a Fotografia se foda? é verdade. e
esta afirmação não é nenhuma manobra subversiva de marketing a meu favor. não é
tão pouco o abandono às minhas câmaras nem desistência a um modo de vida para
os outros. tenho andado a reflectir e aos poucos vou descobrindo que menos é
mais, que se pensar menos em Fotografia mais tempo tenho para olhar em volta e
fotografar, se pensar menos em mim mais tempo tenho para descobrir/fotografar quem
está esquecido e anónimo.
este mundo sobrevive muito bem sem que a Fotografia seja
teorizada (é aqui que quero que ela se foda, mesmo que eu me inclua). mas este
mundo sobreviveria mal se não houvessem fotografias que nos testemunhassem no
nosso melhor e também no nosso pior.
ainda assim fiquei triste por não ter concorrido este ano (pela
primeira vez) ao prémio de fotojornalismo Visão patrocinado em exclusivo pelo
BES. triste porque acabo de perceber que desperdicei uma oportunidade. o mais
certo era não ganhar nada, mas só o facto de haver quem dá oportunidade tem por
si só um grande valor. e acabo de perceber que não posso perder o luxo de não
aproveitar todas as oportunidades para financiar as histórias que quero
investigar para depois as contar a custo zero.