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Soldado do exército (Plano Lira) a descansar após ter ajudado o corpo de bombeiros a apagar as chamas de um fogo florestal em Pedrogão Pequeno, Agosto de
2005.
© 2005, nelson d’aires
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clique aqui para mais informações do Plano Lira e Vulcano
todos nós passamos por locais ou pessoas que são como que um auto-retrato de nós mesmos. no ano passado, enquanto fotografava os fogos florestais, foram muitas as paisagens, pessoas e até mesmo certas luminosidades que me auto-retratavam.
na fotografia documental o fotógrafo deve ter a noção de que a história nunca é sobre ele, quando muito pode fazer parte dela, sendo que o principal papel do fotógrafo é ser mensageiro, e nem todos conseguem suportar o peso deste tão importante papel. As situações causadas pelos fogos eram tão maiores do que eu, que seria da minha parte como pessoa e fotógrafo fazer uma história sobre mim baseada na tragédia dos outros.
ainda assim, ao passar por algumas pessoas, ao embater
nalgumas cortinas de fumo, ao sentir o calor da terra a arder debaixo dos pés,
ao limpar as lágrimas dos olhos a arder devido ao fumo dos rescaldos que cobria
tudo como se uma névoa de cansaço dissesse que agora é tempo de as cinzas
ficarem em paz e o homem partir para a terra repousar.
hoje, passados muitos meses, daqui a pouco um ano, ainda olho para esta fotografia onde tudo me é um auto-retrato.
Talvez hoje algumas pessoas tenham reparado que alguns
hospitais, transportes públicos, algumas grandes superfícies e aeroportos não
foram limpos do lixo e da sujidade do dia anterior. Talvez hoje algumas pessoas
tenham já amaldiçoado os empregados de limpeza chamando-os de incompetentes e
preguiçosos. Talvez.
Mas o que é que se passou para que os caixotes de lixo não fossem despejados e as limpezas não tivessem sido efectuadas? Greve. Hoje, o Sindicato dos Trabalhadores de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domesticas e Actividades Diversas e outros (STAD), fez greve nacional por um dia, 24 horas de hoje.
24/04/2006, Matosinhos em frente à sede da Vadeca
© 2006, nelson d’aires
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A causa da greve: Exigir aos patrões o cumprimento do acordo
final das negociações de revisão do Contrato Colectivo de Trabalho Limpeza, com
as novas tabelas salariais, a vigorar a partir de 01-01-06, efectuado em 26 de
Janeiro.
A pergunta: Os patrões (que compõem a Associação das Empresas de Prestação de Serviço de Limpeza e Actividades Similares) não cumpriram com os trabalhadores o contracto (com as novas tabelas salariais) celebrado com o Sindicato (STAD) com o conhecimento do Ministério de Trabalho? Não.
24/04/2006, Matosinhos em frente à sede da Vadeca
© 2006, nelson d’aires
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Mais uma causa: Como se não chegasse o incumprimento do
contrato, os Patrões, após as negociações de 26 de Janeiro de 2006, mostraram o
acordo final (onde todas as partes assinaram o entendimento) aos seus clientes
(hospitais, aeroportos, empresas de transporte público, grandes superfícies,
etc) para que estes soubessem do acordo e assim os Patrões procederem também ao
aumento dos preços da prestação dos seus serviços aos clientes que entretanto
queriam a situação resolvida com os trabalhadores. Sendo que os Patrões já
receberam os aumentos (dos seus clientes) e os trabalhadores ainda não. E isto
em Abril, três meses depois do acordo final do CCT limpeza.
Sra. Ermelinda Martins (STAD)
© 2006, nelson d’aires
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Foi isto que me foi denunciado pela Sra. Ermelinda Martins em frente à sede da Vadeca (Presidente da Associação Patronal) onde a manifestação norte teve lugar das 9H30 às 12H30. Infelizmente quando cheguei a Matosinhos já as bandeiras estavam guardadas e os trabalhadores a caminho das suas casas, ficando apenas alguns a arrumar a aparelhagem e o palco improvisado no passeio em frente à Vadeca. Havia música popular portuguesa e alguns trabalhadores aproveitaram para dançar, foi aí que eu cheguei e comecei de imediato a fazer umas fotografias até a música parar, o que aconteceu poucos segundos depois.
Não julguem os trabalhadores que dançam nestas fotografias, amanhã é 25 de Abril, e dançar é uma bonita forma de agradecerem por viverem num país que há trinta e dois anos o povo conquistou a liberdade de expressão.
Imigrantes do Leste num dormitório em estaleiro de obra
© 2004, nelson d’aires
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não tenho razões particulares nem especiais para não ter
concorrido ainda a muitos concursos. ainda assim sei o que me leva a participar
quando assim me decido: o tema e/ou o Júri. o meu tema preferido é a ausência do mesmo, ou melhor dizendo, gosto de concursos onde se avalia um portfólio de um trabalho completo com o tema à escolha do autor.
segundo (ou primeiro, é aleatório), se eu sentir empatia com o trabalho dos fotógrafos
que muitas vezes fazem de júri (em conjunto com outras individualidades) aí eu
entro em concurso só para de alguma forma saber que aquele conjunto de fotógrafos
mais experientes do que eu, olharam e avaliaram o meu trabalho. já os
resultados finais, temos de ser suficientemente crescidos para os aceitar e daí
espremer algo que nos ajude a desenvolver o trabalho.
foi há um ano que participei no 1.º Concurso de Fotografia
da CGTP/IN, o tema agrada-me (embora na altura poucas fotografias tivesse sobre
o assunto) e o júri foi composto por algumas pessoas cujo trabalho não me passa
ao lado. não fui premiado, no entanto as minhas fotografias foram seleccionadas
para o catálogo impresso pela editora Campo das Letras.
hoje, quase um ano depois, recebo por correio um convite
para a inauguração da exposição do 1º Concurso de Fotografia da CGTP/IN a
inaugurar na Junta de Freguesia de Stª Catarina – Lisboa. E no fundo é isto,
escrevi aqui todas estas palavras com frases em cima do joelho para vos dizer
que quatro fotografias minhas (mal impressas) estão expostas pelas bandas de
Lisboa.
...mesmo com as algibeiras vazias, algo de novo irá mudar o fotojornalismo português. Fique atento.

01 de abril de 2006, Cláudio Adam (vencedor da sua categoria e também do open na modalidade de fisioculturismo)
campeonato nacional de body fitness e fisioculturimo integrado na 7ª
edição da Viva em Forma que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa
© 2006, direitos reservados ao autor nelson d'aires
Hoje, na Maria vai com as outras às 21:30 horas
Agosto/2004, São Bartolomeu do Mar
© 2004, nelson d’aires
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a fotografia documental (na minha opinião) tem como
propósito ajudar a melhorar o nosso entendimento para com o mundo. ainda não
tenho muitas histórias para contar. ainda assim, sei que a minha pouca experiência
é já suficiente para poder falar a um público interessado. acredito que o muito
pode-se fazer com pouco, é por isso que nos meus tempos livres aceito os
convites de quem acha que tenho alguma coisa a dizer sobre a vida da fotografia
documental. sei que o contacto pessoal é mais forte e permanece muito mais
tempo nas pessoas que nos olham os olhos. é com esta boa vontade que aos poucos
(falando por convite aqui e acolá) espero construir pontes de compreensão para
os vários tipos de documentários de fotografia que se fazem. acredito que a
fotografia pode-se e deve-se fazer sobretudo para quem não é fotógrafo.
hoje, às 21:30 na Maria vai com as outras, (n.º 443 da Rua
do Almada, Porto), de uma forma descontraída e informal falarei um pouco das fotografias
que compõem a exposição lost functions e depois se assim for a vontade a conversa
seguirá sobre a iniciação e o entendimento de um jovem fotógrafo na vida da fotografia
documental.
com isto, está convidado/a quem por lá quiser aparecer e
conversar um pouco.
obrigado.
© 2006, nelson d’aires
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serve esta entrada para convidar todos os amigos e visitantes anónimos para no dia 13 de Abril (quinta-feira próxima) às 22:00 horas comparecerem na maria vai com as outras (n.º 443 na Rua do Almada – Porto) para a inauguração da exposição do meu trabalho lost functions.
esta exposição nasceu quando três marias perderam a vergonha
e fizeram um convite a um estranho (eu) para expor um trabalho no espaço “galeria”
da Maria vai com as outras. a supresa maior foi quando disseram que a exposição
inauguraria também a casa das marias, perante um convite destes o estranho não
soube como recusar, mesmo sabendo que não tinha dinheiro para as impressões e
molduras.
foi a partir desta dificuldade que resolvi “re”criar todo o formato do trabalho lost functions. usando um martelo e um pé de cabra eu próprio fiz as molduras (não vos digo aqui com quê, terão de ir ver a exposição) a custo zero e as impressões são alternativas para quem não quer ter desculpas para não trabalhar e não promover o seu trabalho. O formato desta exposição foi pensado unicamente para o espaço da maria vai com as outras, e quando a exposição acabar, farei uma enorme fogueira com as molduras e impressões. esta exposição é de apenas uma utilização, uma vez criada a beleza de nada serve contemplá-la numa prisão.
o díptico acima exposto foi criado com a matéria que fez/está a fazer
esta exposição possível.
clique aqui para ver o flyer criado pelas marias
quinta-feira (dia 13), cá vos espero, na maria vai com as outras no n.º 443 da Rua do Almada, Porto.
obrigado
© 2006, nelson d’aires
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A minha primeira câmara que comprei (e que tive/tenho) foi uma Canon T70 usada e foi em 2003. Ainda hoje, apesar de agora ter equipamento superior, adoro fotografar com a T70 o reflexo disso são as fotos a preto e branco que compõem as galerias do meu site, pois 95% das fotografias foram feitas com a T70. o botão (do obturador) desta minha câmara sempre foi meio estranho e não basta uma simples pressão para disparar o obturador. em cada disparo é necessário pressionar bem, caso contrário não dispara. não foi por isso estranho para mim a dor na ponta do dedo (que carrega no obturador) que senti no final de um dia inteiro a fotografar devido à pressão que tinha de fazer sempre que queria fazer uma fotografia. com o tempo a ponta do dedo habituou-se à pressão e hoje já não sinto a dor na ponta do dedo que carrega no obturador.
hoje devo ter lavado mil trezentas e quarenta e duas chávenas de café. e de há muitos anos os meus dedos estarem afastados das lides de uma banca de café, hoje, a dor na pontas dos dedos voltou. sei que amanhã vai ser mais fácil, é tudo uma questão de hábito, mesmo que novamente.
no fundo tudo isto é bom. ter hoje esfregado com as pontas dos dedos mil trezentas e quarenta e duas chávenas de café, é a certeza de que amanhã poderei fazer dois mil disparos na minha câmara mesmo que a ponta dos dedos lateje de uma pequena dor no final do dia.
nota sobre o km 31: peço desculpa aos visitantes regulares
do km 31 por este não ser actualizado desde o dia 28 de Março. Todos os dias
fotografo para o km 31 isso é uma certeza, prova disso é a foto (que arquiva o
dia de hoje) que encabeça esta entrada. daqui por uns dias o km 31 voltará a
ser actualizado.

© 2005 direitos reservados ao autor nelson d'aires
"A vida é uma ferida ?
O coração lateja ?
O sangue é uma parede cega ?
E se tudo, de repente ?"
obs.: retrato efectuado no 2.º encontro de poesia de Vila do Conde, no qual Eduardo Pitta foi um dos poetas convidado. mais pormenores da origem deste e de outros retratos aqui e aqui.

01 de abril de 2006, atletas de fisioculturismo
campeonato nacional de body fitness e fisioculturimo integrado na 7ª edição da Viva em Forma que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa
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quem me conhece e quem já me viu a fotografar na rua ou em eventos, sabe que eu não gosto de me fingir invisível. onde quer que eu esteja faço parte do que está a acontecer, daí ser-me muito natural pedir (de acordo com as situações que me surjam no momento) um determinado retrato assim ou assim e ainda assim como na altura eu melhor sentir que é assim. não tenho medo que esta minha atitude contamine o trabalho e este deixe de ser documental. não, a fotografia documental é muito mais do que o fotógrafo querer passar despercebido.
neste trabalho fotografei 90% com película a preto e branco (continuação de um trabalho antigo que aqui não mostrei ainda). nas fotos a preto e branco não fiz pedidos alguns, fotografei apenas o que se desenrolava naturalmente em meu redor. ainda assim pelo meio peguei nas cores para então fazer uns retratos a meu pedido.