
© 2006, nelson d’aires
(clique na fotografia para ver com mais resolução)
Eram dez e meia da manhã quando o telefone cá de casa toca –
Encontrei a sua mochila perdida no passeio de uma rua aqui no Porto. É sua. Está
tudo bem com você? O que lhe aconteceu para você ter-se esquecido de uma
mochila cheia de equipamento fotográfico? Eu ainda fiquei no passeio à espera
que alguém aparece para reclamar a perda. Pensei que lhe tivesse acontecido
alguma coisa de mal. Ninguém se esquece de uma mochila destas num passeio de
uma rua do Porto sem uma razão. Peço desculpa por ter remexido todas as suas
coisas, mas foi necessário para encontrar algo que identificasse o dono,
valeu-lhe a carteira. Desculpe por não a ter entregue à polícia, fiquei
preocupado e por isso levei-a para casa para depois entregar-lhe pessoalmente.
Daqui por duas horas então no piolho. Aponte o meu número de telemóvel. Até já.
Duas horas depois no piolho – Muito mas muito obrigado por
me teres salvo a “vida”. Agora, para além deste copo de cerveja não te posso
recompensar com mais. Pega o meu número de telefone e o meu site. Lá tens a
minha morada e lá perceberás também a importância quase vital desta minha
mochila. Qualquer coisa que precises no futuro não hesites, contacta-me. Dentro
em breve também quero-te recompensar “devidamente”, vou gravar o teu número no
meu telemóvel.
E foi assim que o Nelson, estudante de engenharia mecânica
no ISEP entrou para sempre na minha vida. Sim, chama-se Nelson e encontrou a
mochila do nelson, uma feliz coincidência. Estava ele e os amigos nas imediações
do piolho quando deu-lhe uma enorme vontade de ir buscar uma bola de futebol ao
carro, foi aí que com um amigo encontrou a minha mochila. Ele ainda esperou no passeio
durante algum tempo à espera que alguém aparecesse. Enquanto isso teve que dissuadir
a gula de alguns amigos que estavam com ele. Teve a certeza de que tinha de me
entregar a mochila depois de ter encontrado nela uns convites (ver aqui e aqui)do Espaço T para
a exposição colectiva Escolher um Sentido. O Nelson conhece e admira o Espaço T
e disse aos amigos que eu deveria ser um gajo porreiro e por isso deveria
recuperar a mochila. É claro que a bondade e cidadania é toda do Nelson. O
Espaço T foi apenas um pretexto para se justificar perante os amigos. Eu não
levo a mal os amigos. Tinham todos bebido uns copos e a uma mochila como a
minha é uma tentação para qualquer jovem mortal. Não sei também se ele viu umas
fotografias (10x15cm) a preto e branco que cheiram a cerejas e que andam sempre
comigo na mochila. Talvez ele tenha visto essas fotografias e percebido o amor.
Talvez. O Nelson não conhecia o meu site. Não foi o apelo desesperado que o fez
entregar a mochila. Ele devolveu-ma pessoalmente porque achou que é assim que
deve ser.
Nelson, o meu muito obrigado. Não esquecerei.
Agradeço também aqui a todos os amigos e visitantes deste
site que me escreveram apoio e ajuda caso eu a solicitasse. Muito obrigado,
também não vos esquecerei.
Agora vou trabalhar porque já chega de drama. Tenho que sair
deste fio e isso só se faz com trabalho próprio.
p.s. Sim, eu sempre soube que a sorte ao longo da minha vida tem-me abençoado. eu não me esqueço de agradecer.