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coisas para fazer antes de eu morrer

Na30102006

coisas para fazer antes de eu morrer (work in progress. Tui, espanha / ponte sobre rio de ninguém entre valença e espanha. 29/10/2006 )
© nelson d’aires

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por mais que peça a representação do sono, uma coisa eu já sei: ninguém pode dormir por mim. e, o cansaço é uma bênção da natureza humana. o cansaço diz-me que já fiz coisas, alerta-me para a necessidade de parar e acima de tudo justifica-me a existência da morte. 

o cão dos dedos

o cão dos dedos
João Rios, "O cão dos dedos" (imagem digilizada da capa do livro)
© nelson d’aires - fotografia da capa

(clique na imagem para ver a fotografia na íntegra)

há uns meses atrás o meu amigo João Rios deu-me para as mãos um envelope de cor castanha. pediu-me para ler o seu interior quando eu estivesse no meu sossego. e, no fim da leitura lhe respondesse se tinha ou não uma fotografia minha para a capa do seu novo livro. li todos os poemas no dia seguinte. meses mais tarde encontro a fotografia e mostro-a. “que posso esquecer sobre isso” (pág. 7), foi um sim a morder.

do livro seguem dois poemas:

quero as mãos
as mãos da parteira
para cuspir-lhes a tesoura
 

---

querias tanto a minha vida
que não deixaste abrir a
janela
não fosse esperar-me o mundo
com sua epidemia


o livro deve já estar à venda numa livraria perto de si. se passarem pela capa, não se fiquem apenas pelo exterior. abram “se mais não puder o braço” (pág.46), “o sangue das legendas” (pág. 40).

"all my life here is work"

Na25102006

Imigrante (natural da Ucrânia), trabalhador como servente numa empresa de construção civil e obras públicas, Portugal
© nelson d’aires

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no domingo passado fui ao cineclube de Vila do Conde ver o filme Lisboetas. o filme recomenda-se e a forma como termina é clara: os imigrantes vieram para ficar, trata-los mal é o mesmo que a nós mesmos. pior, é esquecermo-nos que:

- existem ainda muitos portugueses à procura, também, de uma melhor vida, trabalhando no estrangeiro porque cá os chamados trabalhos “menores” são quase sempre uma exploração e uma morte certa, lenta;

- no presente momento os portugueses são a maior comunidade da UE a viver em Espanha;

- há quem emigre porque simplesmente quer, sem nunca sentir a obrigação, a fuga para a sobrevivência.

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primeiro vídeo/documentário de pedro guimarães

Video_1

vídeo por Pedro Guimarães
(clique na imagem para ver o vídeo no Fotocafe com maior resolução)

no dia da inauguração desta exposição o Pedro tinha nas mãos algo que eu não estava habituado nele ser visto: uma câmara de vídeo. sem ter sido planeado ele aproveitou e filmou um pouco da instalação que eu acabara de construir. no fim pediu-me umas poucas palavras. e é claro, depois disto fico contente por verificar que jamais virei a ser político.


coisas para fazer antes de eu morrer

Na21102006

coisas para fazer antes de eu morrer (work in progress. fotografia superior feita no Maus Hábitos na sexta-feira 20/10/2006 )
© nelson d’aires

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aprender a dormir. peço-lhes que simulem o sono para eu fotografar e depois tentar imitar.

as noites de domingo são o que nós quisermos que sejam

Na18102006

sem abrigo, Aveiro junho de 2006
© nelson d’aires

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todos nós conhecemos as pequenas depressões dos domingos à noite. para as evitar, há quem pela tardinha se deite no sofá a ver televisão para adormecer e acordar só no dia seguinte. há quem vá ao cinema e depois se atreva a dar as mãos no escuro a quem está a seu lado. há quem percorra a lista telefónica do seu telemóvel à procura do número para um engate sem compromissos feito em qualquer carro, mata, beco ou pensão. há quem garanta a bateria do telemóvel sempre carregada à espera de um telefonema de engate. há simplesmente quem vá para a cama cedo e dê um beijo a quem esteja a seu lado ao mesmo tempo que diz de lábios desfalecidos “gosto de ti”. há quem, sozinho, vá para um café qualquer, beba uma bebida alcoólica qualquer, veja um canal de televisão qualquer, olhe para a pessoa qualquer que esteja numa outra mesa qualquer e que no meio de tudo pensa na vida mas não de uma forma qualquer. há quem ainda escreva sempre uma carta nas noites de domingo e que na manhã seguinte acorde cedo para ir olhar o mar na direcção da morada que não cabe no destinatário da sua carta.

há muitas mais outras pessoas que fazem outras muitas mais coisas nos domingos à noite. um grupo de muitas dessas outras pessoas “Fas Rondas” semanais com sacos de comida e mais importante ainda com laços afectivos pela solidão das ruas e bairros do Porto, de uma forma que vai para além do voluntariado. vejam hoje a reportagem “Rondas da solidão” na RTP1 às 21:00 por Alberto Serra

coisas para fazer antes de eu morrer

Na17102006

coisas para fazer antes de eu morrer (work in progress)
© nelson d’aires

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há coisas para fazer antes de eu morrer. a primeira de todas é aprender a dormir, novamente.

obs: acho que irei ter sempre a necessidade de fazer/criar trabalhos pessoais a par das reportagens.  sabendo e assumindo tudo isto, "coisas para fazer antes de eu morrer" é um novo trabalho pessoal que dei início há uns tempos. mesmo correndo o risco de não terminar este trabalho, aqui vos deixo o primeiro díptico apresentado publicamente.

maus hábitos

Na15102006

retrato feito no Maus Hábitos, Porto.
© nelson d’aires

outras notas: no presente momento estou com o telemóvel avariado. peço desculpa a quem por ventura nos últimos dias tenha tentado entrar em contaco comigo via telemóvel. enquanto não soluciono o problema, contactem-me por mail. obrigado.
 

proposta indecente

Na13102006

08:00 AM, após o fecho do clube [-3] (organizado pelo Curtas Vila do Conde, Festival Internacional de Cinema, Julho 2006) vários grupos de pessoas descansam sentadas no chão a absorver os primeiros raios de luz antes de irem para a cama.
© nelson d’aires

(clique na imagem para ver a fotografia com maior resolução)

esta noite saiam todos de casa. solteiros, casados, amantes, com filhos, sem filhos, doentes terminais ou simplesmente suicidas que tudo esgotaram. saiam todos. para as ruas, para outras casas, para outras camas, para outras danças. dancem todos, mesmo os que não têm pernas. dancem todos e engatem-se todos, mesmo traindo. dancem todos, beijem-se todos, comam-se todos e a vocês mesmos. façam-no até de manhã. esperem pela luz e ouçam o início do poema:

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte*

façam-no. façam-no hoje. façam-no por aqueles que se escondem na escuridão com medo de errarem, com medo de virem a gostar um pouco menos deles(as). façam-no. façam-no hoje. façam-no por mim, que sou esse, o outro.

no fim... no fim não se esqueçam de agradecer.

*al berto, horto de incêndio

esta noite não me leves para casa

slideshow - esta noite não me leves para casa

slideshow com fotografias feitas no Clube [-3] organizado pelo Curtas Vila do Conde, Festival Internacional de Cinema, Julho 2006
© nelson d’aires

(clique na imagem para lançar o slideshow com áudio. ligue as colunas por favor)