não sabiam para onde
não sabiam para onde
só lhes restava correr
para se esgotarem e com sorte
morrerem primeiro de cansaço
a dada altura o mundo inteiro corria
como se a imitação fosse coisa de sobrevivência
ninguém olhava para trás
não queriam na morte a memória
foram muitos os anos seguintes
para que o pó levantado caísse
sepultando as ruas pejadas de corpos
© nelson d’aires
(clique na imagem para ver a fotografia com maior resolução)







