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ainda no paraíso

durante nove ou dez anos seguidos fiz férias nas praias do nosso Sudoeste. o primeiro ano foi por acidente. era Agosto, tinha acabado de comprar um renault super 5 de quatro velocidades em terceira mão e estava ansioso por colocar dentro dele a minha prancha de surf e juntar-me a uns amigos do Porto para uma surf trip. assim foi feito. foram as minhas primeiras férias da empresa onde trabalhei durante dez anos, e em todas as férias de verão seguintes, sempre em Agosto, repetia o mesmo destino. os anos seguintes foram marcados por diferenças, só a terra era a mesma. nos anos seguintes, parti quase sempre sozinho, eu e o meu renault super 5 e a minha prancha de surf. depois troquei o super 5 pelo fiat uno do meu pai de cinco velocidades que mo vendeu como novo, embora tivesse já muitos anos. uns anos mais tarde, já partia sem a minha prancha de surf, em vez dela levava nos bancos livros, sempre mais do que muitos. às vezes encontrava-me com amigos de cá da terra e ficava com eles uns dias, depois eles partiam, acontecia quase sempre eles partirem primeiro, e eu ficava. era quando eu ficava que conhecia depois outras pessoas, foram bastantes. algumas tornaram-se amigas de anos seguintes, sempre lá, sempre sem combinar, estavam lá mais dia menos dia. depois de sempre lá, passaram a ser amigas de ano inteiro e algumas para a vida. pelo meio assisti ao nascimento do festival sudoeste e ao seu crescimento, já nada foi igual e vi como uma pequena localidade ficou indefesa e impotente quando foi engolida por milhares de pessoas. no primeiro festival tudo estava desprevenido e nada estava preparado. os quiosques esgotaram tudo antes de três, as filas para uma única caixa de multibanco eram de horas, os cafés barricaram as portas com as arcas frigoríficas dos gelados e as pessoas eram servidas em fila indiana à porta de cada café sem poderem entrar porque os donos, pessoas pacatas e habituadas a uma espécie de tranquilidade que fora extinta ali e era já coisa de passado longínquo. as praias foram invadidas, a especulação imobiliária crescia à medida que cada palmo de areia era disputado para estender uma toalha de praia. no primeiro ano de festival, até as carreiras de autocarros não sabiam o que lhes esperavam e foram precisos dois dias para que muitas pessoas conseguissem autocarro para regressarem a casa. depois, a paz regressou e a sujidade ficou. nos anos seguintes, foram muitos os melhoramentos e muitas as campanhas de limpeza. foram também reconstruídas muitas estradas até então estreitas, esburacadas e de alcatrão comido pelo sol forte do Alentejo.
as praias são lindas, umas protegidas por falésias, outras abertas ao vento, e outras ainda secretas. é numa destas praias que me juntava com amigos e amigas feitos lá e só juntos lá sem marcar dia ou hora.
fez este verão dois anos que não vejo e respiro a salsugem das praias do Sudoeste, no entanto, sei que em breve lá regressarei e com sorte estarão lá os amigos e amigas de pele dourada.
as fotografias deste soundslide foram feitas em 2003, ou seja, no ano em que comecei a fotografar. são fotografias de dois rolos que fiz. ambos da ilford mas sendo de sensibilidades diferentes. um é de 50 ASA e outro de 400 puxado a 800. mas isto dos ASAS não é importante.

nota: este slideshow não tem a pretensão de ser um videoclip nem tão pouco uma curta-metragem. opto por esta apresentação por entender que é mais agradável para o visitante. todas as fotografias podem ser visualizadas uma a uma com todo o tempo do mundo. existem imagens que são pedaços de pequenos pormenores “ampliados” de uma fotografia. é por isso natural que fiquem atentos as todas as imagens, pois os pormenores “ampliados” são de fácil identificação.

p.s. aproveito também este soundslide como uma pequena lembrança minha para vocês meus visitantes marcando assim o meu aniversário feito na terça-feira passada. obrigado.

p.s.2 uma das fotos desta série está à venda no mercado das artes, ninguém a quer ir lá ver?

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comentários/comments

paulo fogg

Tão bonito... Já recomendei. Não te zangas, não? (Estava com saudades)

nelson

olá paulo,

a fotografia é comunicação, logo recomendar é um início para se comunicar.

inês

que maravilha!!!
precisava de voltar ao paraíso, de me despir e sentir me livre:)
veijinhos nelson*

Insignificante

Parabéns!

(pelo trabalho e, claro, pelo teu aniversário ;)

magui

muito bonito! que saudades da praia. e do paradisiaco alentejo. parabens! beijinhos

tomé

fantástico! real, tão real...

na fotografia, mais importante do que ter ideias é concretizá-las, parabéns!

e o ASA (também) é importante. adoro o grão, o contraste, os tons. mas isso será mais um efeito filme+exposição+revelação... :)

já tinha gostado da maneira como "olhas para dentro" na série dos incêndios. é interessante constatar esse olhar também aqui.

o resultado é intemporal. gostava também de dizer que transcende fronteiras, mas a costa alentejana é simplesmente deslumbrante e é difícil não o reconhecer - sei porque vivi em évora 7 anos.

e por falar em livros - SE é que ainda não leste, permite-me recomendar a minha mini-bíblia, "cartas a um jovem poeta" do rilke.

nelson

o rilke o rilke...

t

Fascina-me o nu por ser uno à natureza:

Sim, o paraíso tem de ser nu

Dario Silva

Parabéns pela originalidade do teu trabalho.
Em Fevereiro realiza-se mais uma Procissão do Senhor dos Passos em Couto de Cambeses [Ramal de Braga].
Hás-de gostar de ver,

Dario Silva (natural de Cambeses)

maf*

pá... nem vale a pena repetir as palavras dos restantes: é bonito e ponto.
.... e PARABÉNS muito atrasados!!!!!!!!!!!!!!!

Inês

Gostamos todos muito mas ninguém compra nada.
Há drama maior do que este?

Santiago Santos

Lindo.

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