couto de cambeses
domingo passado fui fotografar o Senhor dos Passos a Couto de Cambeses, Barcelos. Há muito que já não ia visitar/fotografar o seio do povo que me acolheu os primeiros passos na fotografia de contacto com pessoas.
apesar de o meu pai ser natural de Barcelos, foi a primeira vez que visitei a pequena freguesia de Cambeses. a culpa de lá ter ido é de algumas fotografias que a Ana fez o ano passado. como a minha câmara digital (nikon D1x) avariou por muito tempo, decidi ir recolher uma parte do meu prémio Fnac em rolos de diapositivos (vulgo slides) para fotografar a cores com a minha Leica R9 (também prémio Fnac) um evento inteiro, coisa que ainda não tinha feito com esta câmara.
eu ainda pensei duas vezes antes de colocar rolos de 15 euros (fora a revelação) na câmara para fotografar um evento que não me vai trazer dividendos imediatos e se calhar nem a longo prazo. a minha sorte é que, apesar de pensar duas vezes não mudo facilmente de ideias e a ideia de fotografar era mais forte, mesmo que sejam fotografias que as revistas da imprensa nacional e as galerias de arte de nada querem saber. e fui.
querem saber? às vezes pergunto-me para que vou eu fotografar e gastar 150 euros em rolos (sem contar com a revelação) num evento tão explorado e quase ignorado hoje em dia como o são as festas religiosas populares. a única resposta que encontro é: ainda bem. sim, ainda bem. a nossa cultura popular está a desaparecer e eu não lhe quero virar a cara. com isto não me tomem como um defensor de coisa alguma, não. na verdade, ouvir certas partes do discurso do Padre, foi mais uma vez detectar e compreender o porquê de muitas pessoas serem desconfiadas, e de não terem nenhuma capacidade de raciocínio crítico devido ao medo entranhado por discursos onde a maioria dos beijos são de judas. é difícil portanto ter esperança em algo que desconfia do acto belo de um beijo.
desculpem as linhas anteriores, foi só um desabafo e não uma crítica aos fiéis. quanto muito é uma pequena e leve crítica a uma igreja que tem poder e não o sabe usar devidamente muitas das vezes.
clique feito pelo valter (eu a mudar o rolo da câmara enquanto jesus sofria na cruz)
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comigo foi o valter. foi um porreiro porque eu estou sem carro e assim deu-me uma bela boleia que agradeço muito. só não sei ainda se ficou arrependido, dado que ele nunca me tinha visto a fotografar eventos populares e rapidamente percebeu que só falei com ele na viagem da ida e na viagem do regresso. quando vou fotografar concentro-me só no tema e tudo o resto desaparece literalmente. o valter é já um rapaz grandito senhor de si, do povo, e por isso entreteve-se bem certamente nas raízes das expressões populares que aos poucos está também a desaparecer. para além disso ele também levava brinquedo como eu e fez cliques de pesquisa, estivesse eu ou não à frente do assunto. na foto de cima pode-se ver Jesus na cruz enquanto eu mudava o rolo da câmara. na foto debaixo pode-se ver (para além de mim de costas) o único operador de câmara de televisão que lá existia. era da TVE.
clique feito pelo valter (eu e a minha mochila)
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ah, o homem que representou de Jesus, fez uma representação notável e digna, sim digna, de fazer a paixão de cristo.



não apanhei seca nenhuma. foi muito fixe. boas pernas passando de um lado para o outro, e grandes conversas. como aquela em que fiquei a pasmar para um moça gordita e a do lado grita: «ei, olha m'aquele a olhar pro teu cuuuu.». o namorado, furioso, acrescentou: «nunca biu, o carxxxx, nunca biu.». enfim. são coisas destas que vou contar aos filhos dos meus sobrinhos... hhehehehe
Posted by: valter hugo mãe | 27-02-2007 at 17:03