portugal fashion II
começo logo pela opção de ter fotografado a preto e branco com uma câmara digital. apesar de ter fotografado em RAW usei o modo black & white para no visor da câmara dar-me isso mesmo: um olhar, um pensamento a preto e branco. podia não ter alterado os settings da câmara e deixar as cores no visor após cada clique, mas não, preto e branco do início até ao fim.
bastidores do Portugal Fashion outono/inverno 2007-2008 (Porto)
© nelson d’aires
fotógrafo que é informado sabe que actualmente a imprensa prefere as cores ao preto e branco. não vale a pena questionar este facto, publicidade e leitores são quem compram os jornais e revistas. no entanto quero acreditar que haverá sempre espaço para o preto e branco e acima de tudo quero acreditar que não são só os gajos consagrados da Magnum e da VII que têm o “poder quase absoluto de serem publicados a preto e branco” quando querem e como quiserem. eu como não sou ninguém, tenho ainda muito a pagar por estas opções pessoais, ainda assim, quero continuar na personalidade em que acredito, mesmo não havendo espaço para trabalhos deste género a preto e branco.
bastidores do Portugal Fashion outono/inverno 2007-2008 (Porto)
© nelson d’aires
o trabalho que fiz foi de, bastidores, corredores ocultos, passerelle sobre outros ângulos. no fundo tentei fotografar de forma “original” ao que tem sido feito em Portugal para mostrar algo que o público não vê por não ter acesso. para o efeito tentei sempre ser o mais possível silencioso, nunca me escondendo, mas tentando não incomodar. nunca fotografei escondido, olhei sempre olhos nos olhos para adquirir confiança e consentimento. falei quando achava que devia falar e no restante tempo esperava com todas as pessoas envolvidas que os desfiles chegassem e terminasse em dez minutos o que demorou horas nos bastidores e meses nos ateliers dos criadores e da organização do evento.
Marco Mesquita nos bastidores do Portugal Fashion outono/inverno 2007-2008 (Porto)
© nelson d’aires
não é fácil fotografar pessoas num lugar onde mais quinhentos fotógrafos e operadores de câmara partilham o mesmo espaço em busca da informação e mais informação e sempre mais informação na maioria das vezes para nada, na melhor das hipóteses para arquivo. às vezes tenho vergonha de ter uma câmara na mão, isso acontece quando vejo fotógrafos a desrespeitar a intimidade de alguém, como se a desculpa “estou a trabalhar” servisse para alguma coisa. foram vários os exemplos de atropelo a que assisti, mas há um que não resisto a descrever de forma resumida. uma modelo já vestida aguardava no “vestiário” do estilista o desfile. eu entro e peço autorização para fotografar os restantes modelos todos eles já vestidos. obtenho autorização e entro. atrás de mim entram mais dois fotógrafos. aos poucos começo a fotografar o que quero e o que me deixam. nisto olho para trás de mim e vejo uma modelo que vira costas aos outros dois fotógrafos (eu não a cheguei a fotografar) porque não quer ser fotografada fora da passerelle. os fotógrafos não recuam, pensam que o sorriso dela é uma brincadeira e não desarmam fazendo disparo atrás de disparo atrás de disparo. ela nunca foi mal educada apenas não queria ser fotografada e não respeitaram isso, ainda assim nunca foi mal educada até os fotógrafos se retirarem. e com isto fiquei triste e envergonhado, porque, merda, há que perceber que as/os modelos nos bastidores têm direito à sua privacidade, eles vendem a sua imagem à passerelle, não aos bastidores, e se nós fotógrafos temos acesso aos bastidores deve-se ao facto de a organização querer fazer uma pequena operação de charme e sedução à imprensa e nada mais do que isso, não temos direito a mais coisa alguma a não ser com devida autorização pessoal.
bastidores do Portugal Fashion outono/inverno 2007-2008 (Porto)
© nelson d’aires
pela primeira vez fiz também fotografias a pensar nas aplicações multimédia para publicação web do tipo soundslides. torna-se para mim cada vez mais evidente de que a fotografia está novamente em mudança e a sua utilização em suportes múltiplos para além do papel é cada vez mais uma urgência e para ficar no futuro. neste momento estou atarefado em editar todas as imagens para seleccionar um portefólio e tentar a todo o custo publicá-lo na nossa imprensa. mais tarde, irei colocar aqui um soundslide e aí perceberão o que quis dizer com fazer fotografia a pensar nas apresentações multimédia.





ola nelson.
gosto muito destas imagens, remetem-me para os anos 60 além de tudo.
beijo e boa sorte.
ana
Posted by: anapereira | 03/07/2007 at 09:45
Estas fotos estão fantásticas e se ninguem publicar é porque são mt ignorantes ou tótos. Eu apoio fotos a preto e branco, são lindissimas e cativam o olhar... ao contrário de muitas fotos a cores vulgares e sem graça nenhuma.
Posted by: Liliana | 03/08/2007 at 15:49
então e essa leica meu caro?? então e esse grão, e esses tons, e essa acutãncia?? (e esse papel...)
não obstante, fantástico.
Posted by: tomé | 03/09/2007 at 00:26
as tuas fotos são casos de pele ;) sentem-se logo , mas no teu caso pahhh ... sentem-se sempre heheh
bejs
ps.. estão lindas estas fotos
Posted by: ana | 03/09/2007 at 14:18