a perfect day
quem me conhece um pouco sabe que sou algo pluridisciplinar e quase incapaz de me dedicar apenas a uma só frente de trabalho. precisei sempre de fazer várias coisas diferentes como se umas fossem contrabalançar as outras. há quem me diga que deveria optar apenas por uma área específica e deixar o resto para trás, caso contrário nunca terei o reconhecimento dos meus pares. bom, que se dane o reconhecimento dos meus pares, eu trabalho para mim e para os outros todos que não fotógrafos ou artistas. se eu fizer apenas fotografia para fotógrafos estou a cair em redundância e se eu criar apenas para artistas estou a cair num universo em que tudo roda à minha volta e não ao contrário.
para mim a expressividade não tem um formato definido. utilizo a fotografia como suporte principal, mas poderia muito bem ter acontecido uma outra coisa qualquer. a vida é toda ela cheia de possibilidades se assim não tivermos medo de fazer escolhas e deixar para trás aquilo que nunca nos pertenceu. estamos cá de passagem e nada nos pertence.
ontem, como também em outros dias, comecei o dia a preparar os últimos detalhes da imagem da sessão de leitura dos poemas do José Luís Peixoto no Teatro Campo Alegre. depois tive de meter mãos à obra a editar fotografias de uma reportagem que fiz há um ano sobre um assunto que nada tem a ver com o espectáculo do Peixoto. ao mesmo tempo decorria a abertura do Festival Black & White, onde participo com 4 obras inéditas. no fim de ter enviado as fotografias editadas, fui a correr para o Porto para fazer um retrato para uma reportagem de um jornalista freelancer. mais uma vez, o retratado nada tem a ver com os outros dois assuntos anteriores. e logo logo a correr fui então para o Teatro Campo Alegre preparar computador, projecção de fotos, DVD com curta metragem, e outras coisas demais para que tudo corresse como planeado. o dia acabou pouco depois e eu bati palmas.
nestes quatro trabalhos usei a mesma câmara, a fotografia, no entanto, diferente em todos eles. mas para mim, está tudo ligado, e tudo com a mesma importância e entusiasmo. e neste enorme palco, a representação do mundo está sempre em cena mesmo quando a cortina da minha câmara fotográfica está por momentos fechada.

Que dia! Não fosse, de facto,a passagem que nos é imposta pela azáfama de estar neste mundo. E tudo se torna mais belo quando o prazer pelo que fazemos está à nossa frente.
Continua...
Posted by: marta | 21-04-2007 at 11:10