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Divulguem por favor | Urgente

Nota: Esta entrada foi actualizada aqui às 16:45h de 06/06/2006.

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Não sei o que se passou ainda. Acabei de chegar do Porto de mãos vazias. Estive a percorrer ruas e mais ruas na inocente esperança de encontrar a minha mochila com todo o meu principal equipamento fotográfico. Não sei ainda como a mochila ficou para trás, esquecida na berma do passeio em frente ao Hospital Privado dos Clérigos. Não sei ainda como foi possível ter-me esquecido da mochila que continha todo um investimento e toda uma decisão de mudança de vida. Pelos vistos o cansaço das insónias e as minhas preocupações financeiras acabaram por fazer estragos. Não sei ainda onde tinha a cabeça quando arranquei com o carro sem me dar conta de que a minha mochila estava esquecida na berma do passeio. Não sei ainda. Agora o que eu sei, é que alguém a encontrou e não a deixou em nenhum posto da PSP. O que eu sei agora é que quem a encontrou não imagina o mal que me faz caso não ma devolva. Aposto também que quem a encontrou não imagina o valor que aquela mochila tem para mim. Quem a achou fez de mim refém sem dinheiro para pagar o meu resgate. Aquela mochila era a minha vida e ainda assim não sei como a esqueci na berma do passeio às duas horas da madrugada de hoje, terça-feira.

Neste momento não tenho esperanças de a recuperar. Neste momento um desânimo total inunda-me os olhos e o corpo. Larguei tudo para nada. Agora tenho de recomeçar ainda mais à esquerda do zero. Recomeçar mais uma vez, cada vez mais com menos. Precisarei de trabalhar um ano inteiro com poupança máxima para comprar novo equipamento e recomeçar tudo outra vez. Este equipamento que perdi (e que depois pode ter sido roubado) ainda não estava pago. Só daqui a três meses é que ficará pago, ou seja, só daqui por três meses é que começarei a poupar para comprar um novo equipamento. Estou sem forças, essa é a verdade. Agora que não tenho equipamento fotográfico vou procurar de imediato um trabalho qualquer a tempo inteiro para não perder tempo.

Perdi também o meu telemóvel que tanto carinho tenho por ele. O telemóvel há um mês que está meio avariado, ainda assim é o telemóvel que eu utilizava e que não trocaria por um novo. Dentro dele estão as mensagens que me faziam companhia nos momentos de maior solidão. Não sei ainda como pude esquecer a minha vida na berma de um passeio.

Ainda assim, fica aqui o pedido. Gostaria que enviassem para todos os vossos endereços de email o seguinte:

Pede-se a quem tenha encontrado na madrugada de terça-feira (06 de Junho) uma mochila preta lowepro no passeio em frente ao Hospital Privado dos Clérigos, o favor de a entregar a nelson d’aires. No interior da mochila encontra-se:

-  uma carteira com todos os documentos pessoais
- um telemóvel nokia de cor prateada (que estava desligado).
- uma Nikon D1x com o número de série 5121942
- uma objectiva nikon 20mm f2.8
- uma objectiva nikon 50mm f1.4
- um flash SB-28dx
- um gravador de voz
- e mais umas quantas coisas pequenas que não me consigo de momento lembrar.

Esta mochila, como já disse, é para mim muito importante. Em Dezembro despedi-me de um trabalho de dez anos para recomeçar uma nova vida. Uma vida dedicada à fotografia documental. Desde Janeiro até ao dia de hoje, tive de investir tudo para divulgar o meu trabalho e neste momento não tenho nada, a não ser um saldo negativo no banco. Se por acaso você souber quem tenha achado a minha mochila com a minha vida lá dentro, por favor informe-me e acima de tudo informe de que a mochila não pertence a uma pessoa rica nem a uma pessoa que vive bem. Essa mochila é o meu investimento e ao devolver-me pode ter a certeza que me vai ressuscitar.
 

obrigado.

 


nelson d’aires

contem-me histórias de vidas

 

Umfinaldevidaemcinzas
habitação do Sr. José Rosário Rodrigues completamente destruída pelas chamas de um fogo florestal. freguesia de Fontes, Abrantes. Agosto de 2005.

© 2005, nelson d’aires
(clique na fotografia para ver com maior resolução)


Serve esta entrada para as pessoas que por aqui passarem caso tenham ou saibam de uma história humana actual que precise de ser contada também através da fotografia, por favor que entre em contacto comigo.

Obrigado

 

procuro o Natal

© 2003 direitos reservados ao autor

© 2003 direitos reservados ao autor nelson d'aires


ao longo de todo um ano há quem espere ansiosamente o natal, assim como também há quem tenta organizar o seu esquecimento. pelo meio existem mediadores para que as pessoas que tentam esquecer não se abandonem e as que esperam impacientes não sofram uma desilusão.

tudo isto existe não só nas casas de todos nós, mas também nas ruas, hospitais, lares de terceira idade, orfanatos, prisões, etc. em suma, existe onde o Homem está carente de afecto.

procuro o Natal nos lugares de mediação acima mencionados. na noite da ceia de natal há magia que acontece, sem sabermos explicar, dentro de nós as tréguas acontecem, ainda que por horas é certo, mas acontecem. o porquê? não sei. e não sei pela simples razão de que o poder está dentro de nós e não num calendário. talvez seja isto. talvez seja pelo facto do Homem não conseguir partilhar todos os dias porque nos esgota os recursos emocionais. mas se há um dia colectivo onde deixámos de pensar em nós, esse dia é o Natal.

convenhamos que todos nós somos mediadores, mas o que eu procuro são aqueles que para além das suas famílias atendem ainda uma sopa de natal para os pobres, oferta de brinquedos a crianças órfãs, companhia a quem não tem morada, companhia a quem está em estado de coma.

se você é um destes mediadores, ou se por ventura não o é, mas conhece alguém que o seja, e que gostaria de ver registado sob a forma de fotografias o agradável silêncio das tréguas de uma destas acções, peço o favor que me contacte. na noite de 24 de Dezembro e no dia de 25 de Dezembro, disponibilizo assim a minha partilha também, não importa em que ponto do país. pela parte que me toca, seria um prazer enorme oferecer uma fotografia minha a quem em paz esteve, por uns momentos que seja.

por favor contacte-me. ou então que divulgue.

obrigado

nelson d’aires

p.s. resolvi fazer este pedido aqui, porque dos vários que eu tenho feito (não interessa agora a quem) têm-me sido recusados. não levo a mal, afinal de contas sou um desconhecido sem carteira de jornalista.