já não te aguardo, adio-me

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no presente momento este trabalho é apenas composto por quatro fotografias. todas estas fotografias, ao contrário do que possa parecer não foram planeadas e as quatro pessoas eram para mim desconhecidas até ao exacto momento em que as abordei no decorrer da madrugada para lhes pedir uma fotografia aproveitando e recriando apenas a matéria real existente, não fosse eu um amante da fotografia documental.

mas quem são estas pessoas? se a resposta é importante, a única coisa que posso dizer é que são alguns dos muitos habitantes de Vila do Conde que de quatro em quatro anos (numa tradição secular) na véspera do Corpo de Deus passam a noite e a madrugada a fazer um tapete de flores nas ruas de Vila do Conde para a celebração do Corpo de Deus.

a este trabalho dei o título de um poema do valter Hugo mãe (com a sua devida autorização) editado no livro “três minutos antes de a maré encher”:

“já não te aguardo,
adio-me”

as fotos não foram pensadas para ilustrar o poema e o contrário também não. não me preocupei em criar eu um título, a preocupação, essa, está toda dedicada a estas simples quatro fotografias. existem também dois pequenos textos que foram escritos por mim e que acompanham duas fotografias. a realidade é também isto: olhar, sentir, pensar e imaginar o que não conhecemos.

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